quinta-feira, 25 de junho de 2020

Quem está de muletas rosa por ai?


A ideia surge quando você vivencia um a situação e pensa em maneiras possíveis de agregar novas práticas a ela. A hastag #demuletasrosaporai surgiu de minhas caminhadas. Uma expressão de minhas vontades, superações e materialização de minhas experiências. Uma história de luta, resistência e cheia de amor.

Essa história começa em São Gonçalo, com uma menina negra cheia de sonhos. Estudiosa, militante, atleta, divertida e muito saideira, desde sempre. Quando tinha 21 anos, estava cursando Biologia, estagiando na FIOCRUZ, foi quando o acidente aconteceu. Fui atropelada na volta para casa. Foram 3 meses de hospital, muitas visitas calorosas, muitas dores e alguma esperança de reabilitação. Depois disso, 9 meses em casa, em busca de possíveis tratamentos que pudessem recuperar a perna muito atingida. Sem sucesso, a amputação foi o caminho mais dentro da realidade, para uma qualidade de vida, o que aconteceu em 2002, no INTO, no RJ.

Momento triste mas de um folego de esperança, a vida segue e continua bravamente. Fisioterapia, chegam as muletas, minhas fiéis parceiras. Volto para a faculdade, mas o estágio já não cabia mais; muita coisa muda em você e em como se relacionar com o espaço, e assim segui. Mais fisioterapia, a prótese, outra grande parceira. Termino a faculdade, agora sou professora de Biologia. Trabalhei na Prefeitura do Rio, no Estado e hoje, estou na Prefeitura de Niterói. Fiz especialização e mestrado em Educação, superando os obstáculos do ca
minho. Mas o tempo não passou tão fácil assim.

Alternando entre prótese e muletas foi essa trajetória. De prótese tudo fica bem mais fácil para as atividades cotidianas, mas nem sempre foi possível. Adaptação é um caminho difícil, que encaro até hoje, por questões diversas: modelo do encaixe, sobrepeso e o material utilizado. Mas assim segue, hoje me encontro na fase muletas.

Também nessa trajetória, passei por muitas questões em relação a acessibilidade como um todo, vivenciando espaços adaptados ou não, mas tentando superar quaisquer barreiras sempre. Atitude própria e cercada de pessoas que te passam confiança, podemos ir longe, bons parceiros para a vida. Já fiz trilhas e várias viagens, curtir passeios de barco, pulei de parapente, desci de tirolesa, adoro praia e o mar, enfim, atividades que me permitem viver, experimentar mais além.

Minha habilitação foi requerida após o acidente, fiz todo o procedimento em carro adaptado, obtive o laudo para a compra do carro, fui habilitada e logo em seguida, o meu outro grande parceiro nessa jornada veio. Ter um carro adaptado ampliou minhas possibilidades, inclusive me despertou para essa proposta.

#demuletasrosaporai surge com esse novo olhar para a vida cotidiana, o quanto a tecnologia permite que outros olhares sejam agregados a práticas antes nem tão importantes assim. Ao usar mais o instagram, utilizar as famosas hastags e a forma irreverente desse contexto, veio como uma forma de expressar essa minha experiência com a acessibilidade e minha visão sobre a minha deficiência. 

Humildemente, sigo firme, tentando sorrir até doer a barriga!!!
Saúde para todos nós!!!!



#demuletasrosaporai #distantesparaestarmosjuntos #saúdeparatodosnós

Daratilde


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